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Fina mandará observador para assembleia da CBDA
em: Setembro 13, 2019, 23:53:38
O imbróglio em meio à crise da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos ganhou novos capítulos nesta sexta-feira. O GloboEsporte.com apurou que a Federação Internacional de Natação (Fina) vai enviar um observador, o paraguaio Juan Carlos Orihuela, para acompanhar a Assembleia Geral da entidade, marcada para a próxima segunda-feira, dia 16 de setembro. A decisão da entidade internacional de mandar um representante confere credibilidade e respaldo jurídico à reunião, pedida e encabeçada por federações estaduais para decidir pelo afastamento do presidente Miguel Carlos Cagnoni.

Ao mesmo tempo, Cagnoni, que anteriormente havia anunciado a antecipação das eleições, divulgou boletim em que marcou a data do novo pleito para o dia 28 de novembro. A decisão, porém, vai contra o estatuto da própria CBDA, que afirma que é função da Assembleia Geral referendar a antecipação das eleições.

Poucas horas depois, Cagnoni foi além. Para reiterar sua posição de resistência às federações que convocaram a AGE do dia 16, comunicou que se afastará do cargo e dará totais poderes a Ricardo Prado, ex-nadador medalhista olímpico e hoje diretor-executivo e diretor-secretário da CBDA. A decisão tirou da jogada o vice-presidente, Luiz Fernando Coelho de Oliveira, hoje rompido com o mandatário.

A atitude, porém, pode nem sequer ter efeito. Na Assembleia Geral de segunda-feira, o mais provável é que as federações peçam e subsequentemente aprovem a destituição de Cagnoni baseado em problemas nas prestações de contas e falta de transparência. Se isso realmente ocorrer, Coelho assumirá o cargo até o fim do mandato (2021).

A eventual ascensão de Coelho ao cargo de presidente pode ensejar uma guerra de liminares entre federações e Cagnoni.

Aí, então, a Fina pode exercer um papel de influência. A entidade internacional desaprovou em 2017, a primeira eleição de Cagnoni e não reconheceu o pleito brasileiro. Só o fez em fevereiro de 2018, após outro processo eleitoral - novamente vencido pelo atual mandatário. O paraguaio Orihuela, que é membro do bureau (espécie de comitê executivo) da federação, também esteve no Brasil no início do ano passado para acompanhar aquela votação.

Há duas semanas, pressionado diante da crise financeira e institucional da CBDA, Cagnoni havia publicado um boletim antecipando o processo eleitoral, que deveria acontecer apenas em 2021. No comunicado, o presidente enumerou os motivos para antecipar o pleito.

Afirmou que levou em consideração o cumprimento das recomendações do processo ético aberto pelo Conselho de Ética do Comitê Olímpico do Brasil à CBDA, entre outras razões. Disse, porém, discordar dos fundamentos da decisão. O boletim afirmava que um edital seria feito para convocar as eleições. Além disso, designava Paulo Schmitt, diretor jurídico da entidade, como responsável por gerenciar o processo eleitoral e a pela criação da comissão eleitoral.

Desde o final de 2016, a confederação tem passado por um declínio que a deixou em uma penúria financeira atualmente. No primeiro semestre de 2017, uma juíza do Rio de Janeiro determinou intervenção na entidade e tirou do poder Coaracy Nunes, que a governava desde 1988.

Dias depois de Gustavo Licks assumir como interventor, a Polícia Federal deflagrou operação que levou à prisão Nunes e outros três dirigentes (Ricardo Cabral, Ricardo de Moura e Sérgio Alvarenga) - todos obtiveram habeas corpus e atualmente respondem em liberdade.

Na esteira do imbróglio, em junho daquele mesmo ano de 2017 Miguel Cagnoni venceu uma conturbada eleição e passou a responder como mandatário da CBDA, porém sem gozar de reconhecimento da Fina (Federação Internacional de Natação). Por causa da falta de aval da Fina, o Brasil chegou a correr risco de não ter representação no Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos de Budapeste, em julho de 2017. Às vésperas da competição, os atletas do país puderam respirar aliviados: a bandeira verde e amarela foi liberada e foram conquistadas oito medalhas.

A relação entre Fina e CBDA, contudo, não engrenou na mesma proporção. O órgão internacional exigiu que fosse feita nova eleição, com a presença de um observador designado por ela, para ratificar a nova cúpula da confederação brasileira. Depois de mais um semestre arrastado, o novo pleito enfim acabou realizado em fevereiro de 2018, com outra vitória de Cagnoni, desta vez com direito a mandato até 2021.

No mês passado, Cagnoni teve seu mandato ameaçado. Em uma reunião convocada por presidentes de federações estaduais, o pedido pela saída do mandatário foi cogitada, mas Cagnoni conseguiu se manter à frente da CBDA com a criação de um comitê de gestão de crise.

A reunião foi convocada por presidentes de federações após a notícia veiculada pelo GloboEsporte.com, que apontou que a CBDA tem uma multa milionária a ser paga aos Correios, por conta de redirecionamento de verba do patrocínio estatal. Outro motivo para convocação da reunião e pedido de renúncia por parte das federações foi a interrupção do serviço de tecnologia da informação, utilizado pela CBDA e pelas filiadas, anunciada pela empresa responsável na última semana. A confederação paga apenas uma parte dos vencimentos da empresa há sete meses.

A administração do atual presidente Miguel Cagnoni à frente da CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos) teve mais de R$ 1,6 milhão em recursos da Lei Agnelo Piva rejeitados pelo COB (Comitê Olímpico do Brasil) em prestações de contas feitas ao longo dos dois últimos anos - o dirigente ascendeu ao comando da entidade esportiva em junho de 2017 e ratificou sua posição em outra eleição em fevereiro de 2018.

Cabe ao Comitê Olímpico do Brasil gerenciar as verbas da Lei Piva - oriundas da arrecadação bruta das loterias federais - e distribuí-las entre as confederações esportivas olímpicas. O GloboEsporte.com apurou que as prestações de contas da verba repassada pelo COB acabaram sendo recusado por diversas inconsistências. Se a apresentação dos gastos não é feita integralmente e sem falhas, acaba glosada e a pendência permanece. No total, a CBDA não conseguiu comprovar os gastos ao COB de cerca de R$ 1,6 milhão.

Há várias razões para uma prestação de contas ser recusada. No caso da CBDA sob a administração de Miguel Cagnoni, um dos maiores problemas têm sido falta de comprovação de gastos em viagens, como cartões de embarque. O procedimento é padrão. Toda entidade esportiva deve apresentá-los na prestação de contas para justificar os deslocamentos nacionais e internacionais de atletas, técnicos e dirigentes.

A confederação de esportes aquáticos tem tido inúmeras dificuldades para reunir tal tipo de documentação. Recentemente, seu departamento jurídico e membros da coordenação fizeram até uma espécie de "força-tarefa" para ligar para atletas e treinadores para pedir os canhotos de voo.

O R$ 1,6 milhão devido pela gestão de Cagnoni se soma a cerca de R$ 6 milhões que havia ficado a prestar da administração anterior, de Coaracy Nunes, que deixou o poder em 2017. Ao todo, são cerca de R$ 8 milhões que a CBDA precisa ressarcir ao COB. Por isso, a confederação já está impedida de receber novos recursos da Lei Agnelo Piva.

A condição só agrava a situação financeira da confederação responsável por gerir os esportes aquáticos do país. Além de não ter mais o dinheiro da lei, ela perdeu em janeiro o patrocínio dos Correios, que recebia desde 1991. O acordo não foi renovado, e a estatal ainda lhe aplicou uma multa milionária por descumprimento em rubrica do mais recente contrato.

Miguel Cagnoni instituiu no início do ano um regime de home office entre os funcionários para poupar gastos em água, luz e telefone, e fechou a sede da entidade no Centro do Rio. Atualmente, os quase 20 empregados remanescentes trabalham no prédio da Federação Aquática do Rio de Janeiro. Contratados terceirizados não recebem desde o começo de 2019.

Diante de tal cenário de paralisia, a CBDA registrou apenas no primeiro semestre deste ano um prejuízo de R$ 2,1 milhões, de acordo com um balancete interno datado de 30 de junho. Com o déficit parcial aferido, a dívida total da entidade saltou para R$ 10,5 milhões - dos quais R$ 6,1 milhões são em débitos de curto prazo, ou seja, com execução nos próximos meses.

https://globoesporte.globo.com/natacao/noticia/fina-mandara-observador-para-assembleia-da-cbda-presidente-se-afasta-e-da-poderes-a-diretor.ghtml


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