• Como um refugiado sem braços chegou à final do Mundial
  • Iniciado por Lucas
0 Membros e 1 Visitante estão a ver este tópico.
  • Lucas
  • Treinador
  • *****

    • 978

    • Masculino
    • Outubro 16, 2019, 01:13:53
    • Guapiaçu
  • mais
Disputar um Mundial de alto rendimento requer sacrifícios, esforço e disciplina acima da média. Nadar sem os braços, exclusivamente com a força das pernas, torna o desafio ainda mais admirável. Mas os segundos dentro da piscina são a parte mais leve da dura jornada de Mohammad Abbas Karimi até aqui.

Ele teve fuga do Afeganistão, travessia ilegal do Irã para a Turquia e uma mudança para os Estados Unidos até ele ser abraçado como membro da delegação de refugiados do Comitê Paralímpico Internacional (IPC).

Abbas, como prefere ser chamado, nasceu em Cabul sem os braços. Até os 16 anos sofreu em um país marcado pela guerra e no qual as pessoas com deficiência em especial enfrentam ainda mais dificuldades. Falar sobre acessibilidade seria um luxo diante de uma sociedade que tradicionalmente rejeita quem, como ele, tem uma limitação física congênita.

- Há muitas razões pelas quais deixei o Afeganistão. Lá não mostram muito respeito pelas pessoas com deficiência, só veem como algo sem esperança para o qual não se pode fazer nada. Mas se você mantém a mente otimista você pode fazer qualquer coisa. Espero que um dia eles entendam do que somos capazes.

Foi então que, ainda adolescente, decidiu tentar a sorte no Irã. Deixou a família para trás e embarcou sozinho para o país vizinho. Mas bastou uma semana por lá para decidir que não tinha valido a pena e que teria que arriscar ainda mais. Decidiu encarar uma travessia ilegal para a Turquia.

- Foi uma jornada dura, foram dias difíceis. Do Irã para a Turquia cruzei a fronteira montanha a montanha, andando, de carro, de caminhão, e finalmente eu consegui. Foi uma jornada muito perigosa, muito dura. Numa noite na montanha ficamos sem comer, muito frio – contou.

Nos quatro anos em que viveu em território turco Abbas finalmente pode se desenvolver no esporte. Diz que venceu duas vezes o campeonato nacional e entendeu que poderia dar mais um passo rumo à profissionalização no esporte paralímpico. Foi assim que encarou mais uma mudança, dessa vez para Portland, nos Estados Unidos.

Fora ainda nas eliminatórias dos 50m livre S5, nesta quinta-feira ele se classificou para a final dos 50m borboleta na mesma classe. Ficou em sexto lugar em prova com bronze do brasileiro Daniel Dias. Abbas mostrou-se satisfeito com o resultado e ansioso pelos próximos desafios. Ele ainda nada os 50m costas no sábado e os 100m livre no domingo.

- Estou tentando conquistar os melhores resultados para buscar minha vaga para Tóquio - disse.

Além dele, o sírio Ibrahim Al Hussein também integra a equipe de refugiados em Londres. Ele nada apenas no domingo, competindo em duas provas: 100m peito SB8 e 50m livre S9.

https://globoesporte.globo.com/paralimpiadas/noticia/fuga-afega-travessia-ilegal-e-casa-nos-eua-como-um-refugiado-sem-bracos-chegou-a-final-do-mundial.ghtml


  • Gosto    Nao Gosto    Supreendido    Medo    Triste    Sorriso    Terror    Piscar    Desconfio    Lágrimas


Tags: