• Fã de Senna e astro de Mundial, Pedro Barros acumula títulos e tatuagens
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    • Outubro 16, 2019, 01:13:53
    • Guapiaçu
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Por motivos óbvios, Pedro Barros não guarda imagens do primeiro encontro. Mas ouviu tantas vezes a história de como a relação começou que a sabe de cor. Tinha menos de 1 ano quando percebeu, encostado na parede, o equipamento que parecia uma prancha e havia sido deixado ali em sua casa, em Florianópolis, pelo lendário Leo Kakinho, amigo da família.

- Foi um amor à primeira vista. Eu vi o skate, imaginei que era um carrinho gigante e aquilo virou meu brinquedo e meu meio de transporte dentro da casa. Eu ficava em cima do skate e ia me empurrando pela parede, indo de um lugar a outro - lembrou-se.

Alguns dias depois, Kakinho apareceu para buscar o skate, mas acabou demovido pelo bebê, que chorou, esperneou e fez que fez até que o brinquedo ficasse. Com os anos, ambos desenvolveram uma cumplicidade. Mais do que brincadeira, transporte ou passatempo, a sintonia entre Pedro e a prancha evoluiu para um "lifestyle".

- A galera pode achar que skate é só subir nesse carrinho de quatro rodinhas e andar, mas não é. É a vivência do dia a dia, nas reuniões com os amigos, na forma de se portar, no respeito um com o outro. O skate ensina muito disso.

O entorno contribuiu, e muito. O pai, André, tinha uma loja de surfe na capital catarinense - onde o filho, por sinal, costumava se enfurnar. Certa vez, promoveu um campeonato de vert, que ajudou a "mudar a chave" de uma Florianópolis então devota ao surfe.

O gosto musical, também transmitido pelos pais, era saciado por bandas que resvalavam no skate em suas composições, vestimentas e condutas, como Dead Kennedys, Raimundos, Marcelo D2 e Black Alien. Se havia desejo de assistir a um filme, desprezava as últimas novidades de Hollywood para ver documentários sobre as manobras criadas na Califórnia. Na hora de recorrer ao videogame, a opção era o Tony Hawk Pro Skater.

- A minha vida era o skate. Se você me perguntasse como eu queria morrer, e existia muito essa pergunta quando eu era criancinha, era com um skate debaixo do meu braço ou andando de skate. Espero que não seja andando, mas com o skate debaixo do braço seria bom, até - disse.

Por sorte, Pedro abandonou quaisquer pensamentos mórbidos e estabeleceu-se como um dos melhores skateboarders do planeta na modalidade Park nos últimos dez anos - é o atual campeão mundial e hexacampeão dos X-Games. Com apenas 24 anos, e com a introdução do skate, como esporte olímpico nos Jogos de Tóquio, ascendeu como uma das maiores esperanças de medalha do Brasil no megaevento do próximo ano.

Nesta semana, ele disputa o Campeonato Mundial de Park no parque Cândido Portinari, na zona oeste de São Paulo, como uma de suas maiores estrelas. A final masculina ocorrerá no domingo, com transmissão ao vivo do Esporte Espetacular.

Curiosamente, apesar das inúmeras referências, seu maior ídolo vem de outra pista. Pedro é fã de Ayrton Senna, ainda que não tenha acompanhado a carreira do piloto.

- O Senna tinha a questão de se mostrar um ser humano, apesar de tudo o que ele fazia na pista. Já me inspirou muito, e nem está mais aqui com a gente. Acredito que houve competições que ganhei ou momentos nos quais me superei por causa do Senna. Eu vi o filme dele indo para uma das competições mais fortes do mundo. E quando vi que ele botava 120%, sempre buscava a excelência, estendia o limite, percebi que tinha que fazer isso também. Por sinal, eu ganhei aquela competição. Pode ter sido coincidência, mas eu ganhei. Ele teve o dom de nem ter me conhecido, mas me influenciado de uma forma verdadeira.

A capacidade competitiva de Pedro contrasta com a maneira como encara o esporte que ajuda diariamente a consagrar. Mais do que medalhas, ele disse que "quer inspirar".

- Não sou nem conceito nem competitivo, sou skate. Eu vivo de equilibrar esses dois lados, do mainstream ao mais underground possível. Posso ao mesmo tempo comer um pão com mortadela com vários amigos, dividindo um refrigerante no bico, como ir a Mônaco receber um prêmio da Laureus [que concede uma espécie de Oscar do esporte, para o qual ele já foi indicado] por causa do skate. Eu sou skate 100% - filosofou.

A opção por dedicar a vida aos ollies e afins fez com que Pedro se tornasse profissional com apenas 13 anos. Um belo dia, foi ao encontro da diretora de sua escola e disse que não iria continuar. Estava na oitava série. Já passava quase o ano todo em viagens, colhia bons resultados e - muito - dinheiro de prêmios e patrocinadores. Ainda na pré-adolescência, ele já era o arrimo da família.

- Eu sustentava minha mãe, meu pai, tinha uma casa que dependia do meu trabalho. Eu acho que o certo foi seguir o meu caminho, e o skate me ensinou muitas coisas que a escola jamais iria ensinar. A gente não pode desmerecer a pessoa está na rua, toda suja e ralada e achar que por ela não ter formação é inferior ou não tem inteligência. Hoje, eu sinto que com o skate eu fui para a "Harvard" dos colegiais da vida. Eu sinto que conhecimento de vida o skate me deu, e isso é o importante.

https://globoesporte.globo.com/skate/noticia/fa-de-senna-e-astro-de-mundial-pedro-barros-acumula-titulos-e-tatuagens-e-vira-esperanca-olimpica-sou-skate-100percent.ghtml


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